Cinema

Crítica | Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa

Nesta última quarta-feira (05.02) o Glitch foi convidado pela Warner a participar da sessão de imprensa do mais novo filme da DC, Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa. Após o grande e recente sucesso do Coringa de J. Phoenix, a mensagem estava mais clara; é possível fazer bons filmes, desde que estejam nas mãos certas. A grande pergunta aqui era outra, será que conseguirão limpar o desastre que Esquadrão Suicida foi de nossas memórias?

O filme conta a história da Harleen Quinzel (Margot Robbie), passando por sua infância, vida adulta como psiquiatra no asilo Arkham até o ponto atual, pós relacionamento com o Coringa, em que passa a chamá-lo de Senhor C. Mas como qualquer relacionamento, o término não é fácil, trazendo muita angústia à personagem. Para se livrar do passado e encarar uma nova fase de sua vida, Arlequina deixa a sombra de seu ex para trás e passa a fazer as coisas do seu jeito; explosiva, impulsiva e colorida. Só tem um problema; até então suas ações eram sempre ignoradas ou até aclamadas por puro medo de retaliação do Coringa. Sabendo que o mesmo não tem mais nada a ver com Arlequina, a proteção acaba e agora, é cada um por si.

Roman Sionis (Ewan McGregor), também conhecido como Máscara Negra, é o grande “vilão” da história e tem como objetivo conseguir um valioso diamante, pisando por cima de qualquer um que ousar ficar em seu caminho. Ah e ele quer matar a Arlequina simplesmente porquê agora pode. Infelizmente a atuação do mestre jedi McGregor é desperdiçada em um personagem raso, que tenta se passar por sádico e frio, mas que na verdade é apenas chiliquento, mimado e descontrolado.

Um detalhe bastante interessante é que o filme é retratado sob a perspectiva da Arlequina, como se estivesse contando tudo que aconteceu nos últimos dias à uma amiga, frequentemente quebrando a quarta parede. Por ser uma pessoa muito elétrica, sempre perdendo o foco e pensando em coisas aleatórias, a narrativa é constantemente “cortada”, mostrando flashbacks a todo momento (alguns bem curtos), como se tivesse lembrado de um detalhe importante naquele exato momento.

Todo esse seu jeito inconstante, em que começa a divagar no meio de situações tensas ou até se imaginar dentro de um musical, foi um ponto que eu gostei bastante. Lembro-me de quando era mais jovem e assistia o desenho do Batman no SBT, assim que chegava da escola, e sempre que ficava surpreso de como Arlequina era imprevisível, mudando totalmente a cena ou mesmo brincando com hienas no meio da cidade (mas não se engane, eu sempre torci para o Batman). Ver que a essência da personagem se manteve no filme foi algo que me surpreendeu bastante.

Outra coisa que eu gostei é o fato do longa ter sido dirigido por uma mulher, Cathy Yan. Isso fez com que Arlequina não tivesse toda aquela “oversexualização” desnecessária, como foi em Esquadrão Suicida, em que metade das cenas eram feitas para destacar alguma pose sexy ou dar close em sua bunda. Com uma personagem tão alucinada e interessante, perder tempo fazendo “fanservice” é no mínimo um desperdício.

Um ponto, porém, quebrou a minha imersão e fez com que eu ficasse com um gosto estranho na boca; sua invencibilidade. Ao meu ver, o estilo de luta de Arlequina sempre girou em torno de agilidade e uso inteligente do ambiente, se adaptando ao seu redor para “dar um jeito” de fazer o que tem que ser feito. E isso realmente acontece em alguns momentos, porém, na maior parte das vezes, ela pareceu mais o Jason Statham, descendo porrada em dezenas de pessoas armadas e saindo andando como se não fosse nada. Veja bem, eu não queria que ela fosse fraca, apenas que não forçassem tanto a barra…

Outro ponto negativo está na falta de atenção com uma das personagens com o maior potencial do longa. Enquanto todas tiveram alguns minutos na tela para explicar como que chegaram naquele momento da vida, que culminou nos acontecimentos do filme, apenas a Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell) permaneceu no escuro. O que Roman fez por ela? Quando ela adquiriu seus poderes? O que de fato houve com sua mãe? Se isso foi deixado de lado intencionalmente, apenas para ser explorado em um filme futuro, eu não sei, mas que é uma grande frustração, isso é.

Em geral, Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa é um filme completo, com começo, meio e fim bastante definidos, repleto de ação, sentimentos e humor na medida certa. Isso mostra que aos poucos a DC está aprendendo o que o público realmente espera das adaptações cinematográficas.

Popularmente conhecido como Koala, Guilherme tem 29 anos, trabalha com redes sociais, adora games e acha muito estranho se descrever na terceira pessoa.
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