8
Ótimo
Gaming

Katana Zero

Ok. sinceridade total, eu não tenho muita certeza sobre o que aconteceu em Katana Zero (PC e Switch). Contando com uma equipe de apenas um programador e dois compositores, o escopo simples do jogo pode até ser motivo de desdém. Mas hoje em dia, subestimar um título independente é quase impensável, pois há muitos jogos bons criados por grupos pequenos de pessoas com um sonho em comum, motivação e uma licença da Unity. Katana Zero é mais um exemplo de resultado bem feito.

À primeira vista, existe um sentimento forte de déjà vu no que o jogo apresenta. Uma cidade fria que se destaca nas cores vibrantes em neon espalhadas por seus prédios. Corta-se então para um assassino de sangue frio que deixa um rastro de sangue e destruição em seu caminho rumo ao seu alvo, designado por um contrato misterioso cujas motivações são das mais desconhecidas. Você, controlando esse assassino, vive toda essa ação da maneira mais crua possível, emergindo das sombras e retornando de mãos sujas ao fim da missão.

É uma apresentação bem geral, mas eu poderia muito bem estar descrevendo Hotline Miami, um ótimo clássico indie que nunca merece ser esquecido. A comparação acaba por aqui, no entanto, seja pela escolha de armas e roupas de nosso protagonista – um “roupão de banho” e uma katana (zero, heheh) – ou pelo formato sidescroller 2D em plataformas, Katana Zero é jogado de maneira distintas de suas fontes de inspiração.

Assumindo o controle do assassino de alcunha “The Dragon”, o jogador cumpre as missões que seu empregador lhe atribui, que são basicamente as fases do jogo. Seu objetivo geralmente será matar todos os inimigos espalhados pelo mapa da maneira mais eficiente possível. As regras são justas: seus alvos morrem com um golpe, mas você também não resiste a uma bala, soco ou lâmina de espada.

Mas é nessa relação de vida e morte que o grande estilo de Katana Zero se esconde. Tematicamente, ao entrar num mapa, The Dragon não está efetivamente colocando sua vida em risco, e sim planejando seus passos para executar todos os capangas da fase. Logo, em qualquer ataque bem-sucedido dos inimigos, um texto aparece dizendo que “Isso não irá funcionar”, e você retorna ao início daquela tela. Esse pequeno detalhe faz o jogo ser extremamente engenhoso, subvertendo a típica limitação de vidas que jogos de plataforma possuem e sendo incrivelmente estiloso no processo.

Estilo esse que está presente no jogo inteiro. O look-and-feel neo-noir é muito bem apresentado, e a arte em pixels é maravilhosa, tanto nos personagens quanto nos cenários. Além disso, algumas cenas – que não falarei sobre com detalhes pra não estragar nada – são extremamente impactantes e bem feitas. Para um jogo que não conta com recursos avançados para mostrar detalhes, Katana Zero faz um trabalho excelente ao transmitir as emoções, gestos e ações dos seus modelos.

No entanto, ainda que o jogo tenha toda essa apresentação impecável, deve ser dito que a entrega de sua história exagera na convolução. Não me leve a mal, os acontecimentos retratados aqui são bons e as curvas que o enredo faz te manterão entretido do início ao fim, porém a impressão passada é que o game quer que o jogador se sinta tão confuso quanto o protagonista no caminho. E, bom, se essa era a intenção, é impossível condenar a ação porque a execução foi perfeita.

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É possível argumentar que o design de Katana Zero já o coloca em um nicho saturado, em que ele se torna desnecessário. Mas o charme de sua pixel-art e a sua jogabilidade suave o tornam bastante especial. Não é o melhor indie de todos os tempos, mas é digno de dois ou três playthroughs para ver caminhos e interações diferentes, assim como assimilar toda a história – até porque depois do primeiro contato o jogo se torna bem curto. Dito isso, a satisfação de obter maestria de cada sala ao longo do tempo é sensacional.

8
Ótimo

Katana Zero

Numa festa de espadas, sangue, drogas e flashbacks, Katana Zero surpreende pela ótima jogabilidade e pelos visuais simples e cheios de personalidade. Só recomendamos jogar duas vezes pra entender tudo que aconteceu.

Pros

  • Jogabilidade extremamente satisfatória
  • Pixel-art maravilhosa
  • Desafiador sem ser injusto

Cons

  • História talvez desnecessariamente convoluta
  • Pouco conteúdo fora da história
Eu ainda estou pensando no que escrever aqui mas prometo que quando sair, vai ser muito legal!
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