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Mediano
Gaming

Macrotis: A Mother’s Journey

Imagine a seguinte situação; uma grande tempestade está por vir, com fortes ventos e um enorme volume de água. A nossa primeira reação sempre será procurar abrigo em nossas casas ou algum prédio próximo, afinal somos humanos, é o que fazemos. Mas para os pequenos animais que vivem nas florestas, uma chuva torrencial é muito mais alarmante com sério risco de vida. É com esse cenário caótico que Macrotis – A Mother’s Tale se desenvolve, acompanhando a saga de uma mãe em busca de seus filhotes.

Se você não sabe o que é um Macrotis, saiba que você não está sozinho. Trata-se de um marsupial nativo da Austrália que lembra muito um ratinho com orelhas de coelho. Possui duas espécies; Lesser e Greater Bilby, que também leva o nome da protagonista. Após uma grande tsunami de uns 30 cm de altura, Bilby se separa de suas crias e agora precisa correr para reencontrá-las.

Antes de começar a olhar ponto a ponto do jogo, gostaria de lembrá-los de uma famosa frase dita pelo arquiteto alemão Ludwig Mies: “menos é mais”. Embora eu não possa afirmar que essa era a intenção, a impressão que Macrotis deixa é que o estúdio turco Proud Dinosaurs tentou adicionar diferentes características para fazer o game se destacar na multidão, mas acabou causando o efeito contrário em muitos aspectos.

Assim que ligamos o som do jogo, um exemplo fica em evidência; a qualidade duvidosa da dublagem, dando a impressão que todo o game foi dublado por pessoas com muito sono. Eu até posso entender o racional por trás da decisão, afinal, dar voz à um personagem adiciona uma nova camada de sensibilidade e empatia, mas será que é uma característica realmente necessária para criar uma experiência mais íntima? Child of Light, por exemplo, há muitos diálogos em que o único som vem da trilha sonora de piano, e acredite, é mais do que suficiente para definir o clima da situação e comover o jogador.

Outro detalhe que me deixou bastante incomodado foi a direção de arte. Para criar uma experiência mais imersiva, o estúdio optou por fazer um jogo 2.5D, ou seja, um personagem 3D navegando por um ambiente 2D. Embora os cenários de fundo sejam impecáveis e ajudem a criar um universo brilhante e realista, a personagem não consegue tanto sucesso assim. Através de uma modelagem 3D simples e com poucos detalhes, nossa heroína parece mais aqueles bichinhos de bexiga em festa infantil. Há também uma enorme diferença de cor entre os planos, além de uma iluminação e sombra que não se conectam, criando uma percepção de que nada se encaixa. No fim do dia, a sensação que passa é a mesma de quando o grupo da faculdade resolve unir todas as partes do projeto no dia da apresentação e cada integrante fez de um jeito; “junta tudo e entrega assim mesmo”.

Se tem algo que compensa todos esses detalhes são as mecânicas e controles, que são sólidos e precisos, tornando a movimentação bem fácil e recompensadora, fator importante em um jogo plataforma. Há também alguns puzzles inteligentes que farão o jogador parar e calcular as possibilidades antes de tentar qualquer solução. Um detalhe, porém, me deixou bastante intrigado; a projeção astral. Em determinado momento do game, Bilby se encontra com um personagem misterioso que lhe dá a habilidade de projetar uma forma etérea que atravessa obstáculos e interage com outros objetos sólidos. Entendo que isso aprimora os puzzles, adicionando uma camada a mais de desafio e tudo mais, mas pera ai, o bicho tem habilidades arcanas? Quê?!

Macrotis A Mother Journey Puzzle

Todos essas decisões criativas contribuem para uma experiência fraca e rasa, impedindo que o game seja verdadeiramente imersivo ou emotivo. O simples fato de trazer animal em busca de sua família já seria background suficiente para criar uma história emocionante, complexa e cativante. Mas na corrida para se destacar dos demais, o estúdio optou por incluir diversas características a mais que surtiram o efeito contrário, provando que nem todos os títulos precisam ser completos para fazer sucesso. Um excelente passo para o primeiro título comercial do estúdio, mas ainda está longe de ser um sucesso.

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Macrotis: A Mother's Journey

Macrotis tenta morder mais do que consegue engolir, criando uma experiência rasa, desconfortável e nada memorável.

Pros

  • Puzzles desafiadores

Cons

  • Dublagem fraca e desnecessária
  • Direção de arte ruim
Popularmente conhecido como Koala, Guilherme tem 29 anos, trabalha com redes sociais, adora games e acha muito estranho se descrever na terceira pessoa.
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