7.5
Muito bom
Gaming

My Hero One’s Justice 2

Aproveitando-se do momento, já que a atual temporada ainda está em exibição no Crunchyroll, a Bandai Namco lançou na última semana My Hero One’s Justice 2 (Switch, PS4, XOne e PC), o jogo de luta 3D do anime My Hero Academia. O game se passa logo após o primeiro título e gira em torno da terceira e quarta temporada, passando pelas etapas da licença provisória e parando logo no fim do arco da Yakuza/Kai Chisaki. A pergunta que não quer calar é, o título fará sucesso por si só ou é destinado exclusivamente aos fãs?

Logo de cara, no menu inicial, My Hero One’s Justice 2 já traz uma grande variedade opções de jogo, passando uma imagem inicial bastante interessante para um título de luta. O modo história, por exemplo, permite que o jogador reviva momentos chave do anime, sempre pela perspectiva do personagem específico daquele momento. Embora Midoriya seja o protagonista, o game se esforça para trazer uma variedade de personagens aos holofotes, permitindo que o jogador lute como Todoroki, Bakugo, Kirishima, entre outros. Isso quer dizer que é possível jogar com todos os personagens do game? Não, alguns são bem esquecidos, mas isso acaba sendo apenas um reflexo da direção tomada pelo anime. Após concluir a campanha, o jogo habilita a segunda etapa, no qual todo o arco é visto pela visão dos vilões, incluindo os conflitos internos entre a Liga dos Vilões e a Yakuza.

Dito isso, vamos aos fatos, a campanha é bem entediante, mesmo para quem já é fã da série. Isso porque as cenas do anime são exibidas como quadrinhos narrados, com poucas animações entre um e outro. A sensação é de assistir um anime através do Power Point, extremamente chato e pior; confuso, pois há cenas em animação convencional também. Por quê não fizeram todas as cenas como anime, desde o começo? É proibido por contrato de emissora? Ou acharam que seria melhor alguém narrar slides? Eu, otaku fedido que estava doido para rever o enredo, acabei só apertando o botão sem parar pra pular essas cenas, o que me deixou bastante triste.

O meu grande alívio nessa história é que o core-gameplay, o pilar que sustenta todo o jogo, é excelente. Os combates são fantásticos, fluídas e fáceis de aprender, tornando-se um jogo de luta super acessível e divertido para todos os tipos de públicos. Eu não sou o melhor jogador de Fighting Games, digo, sei fazer um Hadouken no Street Fighter e tal, mas minhas habilidades não vão muito além disso. My Hero One’s Justice 2 faz um excelente trabalho através de movimentos fáceis e padronizados ao longo de todos os personagens. Segurar R1 e triângulo (ou Y), por exemplo, ativa um especial, independente de personagem. Esqueça lista de comandos como em Tekken ou Soul Calibur, pelo contrário, aqui todos os personagens possuem os mesmos comandos. O que separa um jogador experiente de um casual é saber timing e o range de cada ataque, de cada personagem.

Uma das novidades em My Hero One’s Justice 2 é o modo de Missão, no qual permite que o jogador crie sua própria agência de heróis e recrute qualquer personagem disponível no jogo, independente quem seja. Quer ter uma equipe de luta contendo o All Might, All for One e Kai Chisaki? Sem problemas, desde que você tenha moedas (adquiridas dentro do game) para isso. O modo funciona como um pequeno RPG tático, através de um grid, o jogador escolhe um caminho e qual adversário irá enfrentar. Todo o dano recebido na partida será fixo, podendo se recuperar apenas através de itens espalhados pelo mapa, geralmente no fundo e representado por um sorvete. A grande questão é que, a cada turno os vilões causarão uma quantidade de dano na cidade, ou seja, quanto mais tempo demorar para atacar os inimigos, pior será, fazendo com que o jogador tenha que gerenciar não apenas a sua vida, mas a estrutura física (representado em PVs) da cidade.

Há também modos de arcade, online, treinamento, enfim, lembram que eu comentei das várias opções de game para um jogo de luta? No fim, todos são praticamente iguais com pequenas variações entre si. Tudo bem que a jogabilidade é boa, mas senti muita falta de uma real distinção entre os modos, fazendo com que tudo seja muito parecido e repetitivo. O que me leva ao meu principal ponto negativo; falta de variedade.

Logo após o fim do arco da Yakuza, temos uma atividade escolar em que os alunos da U.A. se reúnem, com o objetivo de aliviar o stress e principalmente, mostrar para a Eri-chan que há muita coisa legal no mundo. Seria muito bacana se o jogador pudesse participar desse Festival, jogando diversos minigames com os personagens. Além de ser algo único, podendo ser liberado apenas para quem fez 100% da campanha, seria uma excelente forma de expandir o universo, podendo conversar com personagens que ficaram esquecidos na história, como Aoyama ou Yaoyoruzu. Ou que tal fazer a invasão à base Yakuza como um combate similar a Dinasty Warriors, com vários capangas mais fracos, igual ao anime? Ou mesmo transformar o modo Missão em um sidescroll beat’em up, como Street of Rage? Isso deixaria o modo com sua própria identidade, aumentando a vida útil do jogo. Há tantas possibilidades aqui que eu poderia fazer um artigo só com sugestões.

My Hero One’s Justice 2 até tenta criar mecânicas para expandir a replayabilidade, mas são fracas e não oferecem recompensas à altura. Ao completar desafios, experimentar diferentes modos de jogo e coletar achievements, o jogador é recompensado com moedas (para adquirir heróis no modo Missão), personalizáveis (acessórios de outros personagens, em cores variadas) e mídias (arte, vídeos ou músicas), com o porém de que nada disso é realmente útil. Se as recompensas fossem habilitar rascunhos e esboços do autor, trilhas sonoras instrumentais exclusivas para o jogo ou coisas que realmente tivessem valor para um fã da série, ai sim faria qualquer um se esforçar para conquistar tudo.

Então respondendo a pergunta do primeiro parágrafo, My Hero One’s Justice 2 é um jogo muito bom, mas não foi feito pensando em fãs, tampouco será bem sucedido por si só. Sua jogabilidade é rápida, divertidas e acessível, porém não oferece muita profundidade, quesito essencial para se tornar um jogo competitivo. E não é nem o fato de ser produzido em cima de um anime, Dragon Ball FighterZ no EVO 2020 prova isso. Mesmo com tantos modos diferentes, há pouca variedade entre si e os colecionáveis são bem sem graça…

7.5
Muito bom

My Hero One's Justice 2

Com excelentes mecânicas de luta e combos fáceis de realizar, My Hero One's Justice 2 é bem divertido e acessível. Porém, a falta de profundidade, narrativa entediante e falta de originalidade impactam a experiência geral.

Pros

  • Intuitivo e fácil de começar
  • Ataques Plus Ultra são lindos

Cons

  • Falta de profundidade
  • Diferentes modos de jogo, porém todos iguais
  • Narrativa em Power Point
Popularmente conhecido como Koala, Guilherme tem 29 anos, trabalha com redes sociais, adora games e acha muito estranho se descrever na terceira pessoa.
Ad

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Scroll to top