6.5
Bom
Gaming

Ni No Kuni: Wrath of the White Witch Remastered

Quando eu vi Ni No Kuni pela primeira vez, antes mesmo de saber qualquer detalhe, achei que era apenas mais um filme de Hayao Miyazaki. Mas para minha surpresa, trata-se de um JRPG como “Tales Of” ou “Octopath Traveler”, muito próximo do que podemos considerar como uma experiência interativa. Por motivos de “PC Master Race Only”, o jogo passou batido por mim em sua época de lançamento. Mas agora que o jogo foi relançado através de um remaster no PS4, PC e Switch, finalmente poderei responder; vale a pena?

Inicialmente desenvolvido como um projeto especial pelos 10 anos do estúdio japonês Level-5 (responsável por jogos como Yokai Watch ou Rogue Galaxy), Ni No Kuni foi lançado para Nintendo DS em 2010. Mais tarde, em 2013, o jogo foi publicado para PS3 com mudanças significativas nos gráficos e interface. Não contente com o sucesso acumulado ao longo dos anos, o título espera conquistar ainda mais fãs voltando às prateleiras das plataformas atuais.

Ni No Kuni: Wrath of the White Witch Remastered se passa em universo alternativo mágico, repleto de criaturas fofas e esquisitas. Logo após sua mãe morrer, o jovem protagonista Oliver é levado a esta nova realidade com a esperança de revivê-la. Acompanhado de seu parceiro Drippy, uma fada em formato de coxinha com uma lanterna no nariz, ambos partem em uma aventura para aprender magia, fazer amigos e salvar o mundo de tabela.

Além de acompanhar o protagonista e servir de apoio para seu crescimento, Drippy é um tutorial com pernas. A cada mecânica nova apresentada, Drippy explica à Oliver o que é, como usar e por qual motivo. O que me leva ao meu primeiro ponto negativo; muito fácil. Tudo bem que Ni No Kuni foi desenvolvido para ser acessível, mas da forma como o jogo é conduzido, eu me sinto em uma esteira de aeroporto, bastando ficar parado para chegar ao destino. Em um determinado puzzle, por exemplo, o protagonista chega numa sala com fogareiros e um portão fechado. Como se não fosse obvio, Drippy me solta algo próximo de “Nossa, você tem magia de fogo. Esses fogareiros podem pegar fogo. Imagino o que aconteceria se eles pegassem fogo”. Essa cena acontece bem no início do game, mas todo o jogo se desenvolve nesse nível, o tempo inteiro. E isso que nem falei do minimapa, que constantemente aponta onde está o objetivo, as sidequests (azul piscante), enfim, tudo o que você precisa.

Ni No Kuni Sidequest

O combate segue o mesmo estilo já estabelecido pelo gênero, mas com a adição de “Familiar”, pequenos monstrinhos com características, nível, equipamentos e habilidades próprias que lhes ajudam no combate, “counterando” certos tipos de inimigos. Através de uma área circular, o jogador pode movimentar o personagem, seja ele um familiar, Oliver ou um de seus amigos, para se movimentar pelo ambiente fugindo de ataques ou coletando Orbs que lhe dão um pequeno bônus de vida, mana ou ambos. A grande sacada é saber quando usar seus ataques ou sua defesa, para criar oportunidades de ataque e causar aquele cobiçado dano extra.

Embora Oliver comece sua jornada como um simples aprendiz, pouco a pouco evolui para um grande mago, aprendendo os mais diversos feitiços, com aplicações dentro e fora do combate. Mas talvez o ponto mais chamativo são as magias de “Take Heart” e “Give Heart”. Através de um pequeno recipiente mágico, Oliver consegue coletar ou distribuir diferentes virtudes como Coragem, Bondade, Ganância, Amor, etc, para os cidadãos de acordo com suas necessidades, recuperando as esperanças e a vontade de viver daqueles que mais precisam.

Ajudar o próximo, seja dando um pouco mais de Entusiasmo em sua vida, ou qualquer outra sidequest, lhe dará selos que, ao completar a cartela, resulta em uma medalha. Ao acumular um determinado volume, é possível trocar por benefícios fixos como correr mais rápido, colher mais itens ou pular. Isso dá ao jogador uma sensação maior de recompensa por fazer todas as sidequests do jogo, aumentando mais ainda a duração do game, que passa de 40 horas.

Todo esse universo mágico e fantástico fica ainda mais imersivo sob à direção de arte do Studio Ghibli, e sua trilha sonora orquestrada por Joe Hisaishi, que também produziu as músicas de “A Viagem de Chihiro” e “Princesa Mononoke”. O simples ato de caminhar pelos mapas, sem qualquer objetivo, acaba se tornando uma épica experiências graças à emocionante trilha sonora.

E isso me leva ao segundo ponto negativo; desenvolvimento lento. Ni No Kuni se esforça para criar um universo mágico, vivo, interativo e com toda a profundidade que um JRPG merece. Porém, por ser um jogo destinado ao público infantil, entrega todos esses pontos de uma forma bem devagar, mastigados e simples. Todos nós já entendemos a jornada do heroi e seu amadurecimento até dar uma surra no vilão, mas aqui é tudo muito devagar, pois o jogo quer garantir a história esteja bem clara para o público-alvo. O que me leva à pergunta; afinal, de quem foi a ideia de criar um JRPG desse porte para crianças?

6.5
Bom

Ni No Kuni: Wrath of the White Witch Remastered

Mesmo com um estilo de arte incrível e uma trilha sonora espetacular, Ni No Kuni entrega uma experiência lenta e sem desafios.

Pros

  • Trilha sonora maravilhosa
  • Arte do Studio Ghibli <3
  • Combate interessante

Cons

  • Desenvolvimento lento
  • Puzzles muito fáceis
  • Sidequests repetitivas
Popularmente conhecido como Koala, Guilherme tem 29 anos, trabalha com redes sociais, adora games e acha muito estranho se descrever na terceira pessoa.
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