8.5
Ótimo
Gaming

Rage 2

Continuação direta do título lançado em 2011, Rage 2 é um FPS ambientado em um futuro pós-apocalíptico caótico e alucinante, com muitos robôs, mutantes e robôs mutantes! Distribuído pela Bethesda no PC, PS4 e XOne, o jogo traz propostas interessantes, aproveitamento questionável e principalmente; tiro, porrada e bomba!

Em Rage 2 o jogador assume o papel de Walker, que após “roubar” a armadura de um Ranger, uma espécie de super soldado, herda suas habilidades sobre-humanas, e com isso, a responsabilidade de resolver os problemas do mundo. Em um universo em que a humanidade foi quase dizimada, manter a ordem com bandidos dominando as ruas e mutantes atacando indiscriminadamente, será bem difícil. Guiada pelo holograma de sua falecida tia e mentora, Walker tenta reviver o projeto Adaga contactando três líderes-chave, e assim impedir que a facção Autoridade cause ainda mais problemas.

Os desenvolvedores até se esforçaram para criar mundo convincente, com uma sociedade marginalizada, marcada por violência, diferenças culturais e sociais. Porém em momento algum o jogo tenta se aprofundar nessas questões, pelo contrário, o jogador acaba embarcando em uma aventura genérica e clichê de “super soldado salva o mundo” e nunca passa disso. Em um determinado momento, por exemplo, passei por uma região que ficava abaixo de uma grande cidade (Sorvedouro), repleto de lixo e esgoto. Nesse local havia dezenas de NPCs trabalhando, revirando o lixo em busca de algo que lhe fosse útil, o que me fez ficar ansioso, achando que entenderia mais das questões políticas do universo e iniciaria uma revolução e… Nada!

Com um universo rico, repleto de mistérios e personagens únicos, não era difícil desenvolver quests que criassem sub-histórias dentro do arco principal, com o objetivo de explorar o enredo. Tanto as quests principais quanto secundárias são bem previsíveis, servindo apenas para manter o jogador entretido e ganhando experiência. Isso ocorre pois as missões representam diferentes áreas de pesquisa de um dos três líderes do projeto Adaga e, completar as quests, lhe renderá pontos que podem ser trocado por upgrades nas habilidades existente. Então quanto mais missões você fizer, mais forte você fica, nada além disso.

Rage 2

Enquanto a história é fraca e rasa, a jogabilidade compensa em muitos níveis. Várias vezes me peguei dirigindo pelo deserto, sem destino definido, até avistar um covil de bandidos, lugar ideal para conseguir alguns itens interessantes. Pisei fundo no acelerador em direção ao centro da base inimiga, me ejetei do assento e cai no meio da galera explodindo tudo ao redor. Com um rifle de assalto que mais parece uma minigun, distribuo bala para todo mundo. Rapidamente corro em direção ao local com o maior aglomerado de adversários, ativo minha habilidade de Sobremarcha, garantindo bônus de dano e regeneração por alguns segundos. Saio me sentindo o Rambo em pessoa, parando apenas quando nada mais se mexer. Pode parecer uma cena fantástica e super planejada, mas é só mais um dia em Rage 2.

O sistema de combate foi supervisionado pela Id Software, a mesma desenvolvedora dos recentes Doom e Wolfenstein, e isso se traduz em conflitos rápidos e caóticos. Ao invés de ficar escondido no fundo, o jogo incentiva o jogador a entrar de cabeça nos conflitos, dando-lhe um amplo arsenal, equipamentos, habilidades especiais e a opção de recuperar vida a cada inimigo morto.

Como se não bastasse o kit diversificado, Rage 2 ainda disponibiliza diversos upgrades para seu personagem, veículo, armas, acessórios, itens, habilidades, enfim, seja lá o que você tiver no jogo, pode ter certeza que há um upgrade daquilo. Esses aprimoramentos, por exemplo, podem ser salto duplo, maior velocidade ou mesmo mais resistência a dano. Essa enorme personalização acaba incentivando o jogador a correr atrás de mais recursos (via quest secundárias) para poder habilitar ainda mais benefícios e com isso, criar combos mais destruidores para matar mais ainda, criando um ciclo (praticamente) sem fim de adrenalina. Ou até você ficar tão overpowered que o jogo perde a graça (que foi o meu caso).

Quero destacar, também, a direção de arte que consegue reproduzir o contexto proposto, mesmo nos mais diversos ambientes. Seja no deserto, floresta ou até no meio de um pântano, em todos esses locais é possível ver restos do que um dia foi uma civilização. Antigos edifícios, lixo amontoado e uma vegetação que cresce sem intervenção do homem, complementam o cenário, criando uma experiência mais rica e imersiva. E ai vocês me fazem a pergunta clássica e eu respondo; sim, o jogo está muito bonito!

Ainda que o maior ponto fraco seja o enredo, quero destacar outra coisa que me deixou bastante chateado; o jogo está repleto de bugs. Talvez não na proporção Fallout: 76, mas posso dizer que meu “save” foi uma aventura. De NPCs que atravessavam parede, a personagens que falavam sem som (graças a Zeus habilitei as legendas), corrida em que os adversários não perdiam posição e até inimigos que bugavam dentro da parede, ficando imortais. Em determinado momento até procurei a assessoria da Bethesda para reportar os bugs, mas a frequência que isso ocorreu me desanimou a ponto de desistir e deixar quieto. Vivenciar um sistema de combate divertido e viciante, apenas para ser quebrado da imersão em poucos segundos por causa de um bug, é mais frustrante do que eu imaginava.

8.5
Ótimo

Rage 2

Rage 2 é um jogo repleto de ação, com visuais incríveis e um sistema de combate inesquecível. Porém a história é clichê, simples e deixa muito a desejar. É tipo comer um x-bacon em um pão de bisnaguinha.

Pros

  • Combate alucinante
  • Bem humorado
  • Excelente direção de arte

Cons

  • História fraca
  • Bugs
  • Pouca variedade de quests
Popularmente conhecido como Koala, Guilherme tem 29 anos, trabalha com redes sociais, adora games e acha muito estranho se descrever na terceira pessoa.
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