8.5
Ótimo
Gaming

The Dark Pictures Anthology: Man of Medan

Ao longo dos meus jovens 30 anos de vida, eu aprendi três certezas que definem muito a minha pessoa; queijo é overrated, comida apimentada não faz sentido e jogos de terror me dão um cagaço sem igual. Destinado a superar meus medos, parti em uma aventura sombria em The Dark Pictures Anthology: Man of Medan, o mais novo survival horror da Bandai Namco, e devo dizer que foi uma experiência bem bacana e talvez, uma excelente porta de entrada ao gênero.

Man of Medan começa com um grupo de amigos que partem em uma viagem para encontrar um avião da 2ª Guerra Mundial que havia caído no oceano (e tomarem umas em alto mar). Como nem tudo são rosas, principalmente em um jogo de terror, o grupo é abordado por uma gangue de pescadores piratas (?) que querem muito mais que amizade. Quase que como uma intervenção divina, o barco em que estão começa a sacudir cada vez mais, por estarem sob uma enorme tempestade, até que se choca com uma grande embarcação. Para não se afogarem, todos acabam subindo abordo do misterioso navio fantasma Ourang Medan. Só que a embarcação está repleta de cadáveres em posições bizarras, como se tivessem morrido enquanto gritavam com medo de algo. O que será que aconteceu? Quem fez isso? Como sair vivo disso tudo? Essas são as perguntas de ouro, não é mesmo?

Assim como Until Dawn, outro título da desenvolvedora Supermassive Games, Man of Medan traz uma fórmula híbrida, permitindo que o jogador construa sua própria narrativa e viva uma experiência interativa como se estivesse dentro de um filme de terror. Isso significa ser responsável pelas escolhas e decisões dos personagens, aumentando suas chances de sobrevivência ou mesmo matando-os.

Logo de cara um detalhe me chamou a atenção; câmera. Inicialmente eu reclamei bastante das câmeras fixas, que fazem com que a mobilidade entre um ambiente e outro fique bastante confusa. Estou andando pra frente e, assim que passo por uma porta, o direcional inverte para seguir a nova vista, fazendo com que meu personagem ande para trás. Mas depois de me acostumar, percebi a grandeza que essa característica proporciona à narrativa. A partir do momento em que o jogo controla o campo de visão, fica mais fácil de criar uma experiência mais imersiva, regulando exatamente o que eu poderia ver naquele momento, adicionando profundidade e criando um clima de suspense.

Man of Medan divide a exploração do navio entre todos os personagens, sendo que cada um está vivendo um momento diferente, com seus próprio medos e objetivos. O jogo traz muitos momentos com quick time events, no qual é necessário apertar uma sequência de botões rapidamente para poder interagir com o cenário. Falhar significa não realizar tal ação, o que pode ser algo bom ou ruim, dependendo da circunstância. Além disso, há muitas opções de escolhas, permitindo que o jogador decida se quer se esconder ou correr, por exemplo. Ou até mesmo responder um diálogo ou ficar em silêncio.

Man of Medan

Embora o jogo foque bastante nas escolhas, eu senti que houve um certo exagero nas consequências, ou pelo menos uma tradução enganosa. Em um determinado momento o jogo pergunta se eu quero encarar uma certa ação (evitando spoilers pra vocês) ou pular para longe. Em minha doce inocência escolhi a opção de “saltar”, imaginando que estaria ganhando tempo, só que na verdade o jogo faz o personagem se jogar de cabeça no chão. Bom, vocês devem imaginar o resultado. Eliminar um personagem por causa de uma única decisão ou botão não pressionado a tempo parece severo demais… Ainda mais se considerar a todas as escolhas e decisões que vim tomando até chegar a esse ponto.

O jogo também conta com um sistema de relacionamento, que permite que personagens distintos sintam maior ou menor afinidade pelo outro. Colocar duas pessoas que se gostam juntos abrirá novas opções de interações, fazendo-os se esforçarem mais para se salvarem. Ao mesmo tempo em que juntar dois personagens que se odeiam causa um péssimo trabalho em equipe, o que pode (ou não) desenvolver a história para caminhos diferentes.

Inclusive isso é um fator que deve ser considerado; replayabilidade. Embora Man of Medan seja bastante curto, cerca de 4horas para concluir, é esperado que o jogador complete o game várias vezes para vivenciar diferentes cenas e assim, absorver tudo que o jogo tem a oferecer. O que pessoalmente acho bem chato para um título focado em narrativa.

Man of Medan ainda oferece um modo multiplayer, permitindo que você viva essa sensação sombria com um broder online ou com vários outros amigos, no mesmo ambiente, em que cada um controla um personagem, passando o controle de mão em mão. Não é uma experiência muito natural, concordo, mas é uma excelente forma de reunir os amigos e juntos, tentarem resolver o mistério do navio (e fazer aquele bolão pra ver quem vai sobreviver).

8.5
Ótimo

The Dark Pictures Anthology: Man of Medan

Man of Medan é sombrio, assustador e imersivo. Suas jogadas de câmera são inteligentes e as diversas opções de escolhas permitem alto grau de replayabilidade. Isto é, se você não se frustrar com as repentinas mortes dos personagens.

Pros

  • Experiência imersiva
  • Sistema de câmera cria um enorme suspense

Cons

  • Curto demais
  • Ser obrigado a jogar tudo de novo para ver uma ou outra cena extra
Popularmente conhecido como Koala, Guilherme tem 29 anos, trabalha com redes sociais, adora games e acha muito estranho se descrever na terceira pessoa.
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